quarta-feira, 6 de maio de 2015

Daqui a cinco anos ou um pouco além...



              Rabiscarei essas primeiras linhas citando o fantástico ator, diretor, apresentador e pensador paulistano Antonio Abujamra (1932-2015) falecido no mês de abril: “Eu tive mais de cem fracassos e para mim não tem a mínima importância. Para um artista o fracasso e o sucesso são iguais. Os dois são impostores.” Acrescento ainda outra pérola preciosa de sua autoria: “Embora minha cabeça não tenha mudado, as viagens serviram para que eu me conhecesse melhor e tomasse um rumo, após perceber que a essência do meu progresso estava em poder aceitar a minha decadência. Ou seja, progredir até morrer, porque viver é morrer. E não me arrependo de nada.”
              Não vou analisar o contexto ou em que fases, (etapa/amadurecimento) de sua existência essas afirmações foram proferidas num ataque verborrágico, traço comum de sua personalidade múltipla, entretanto apenas compartilho com vocês essas citações. Recentemente perdemos outras personalidades ímpares que farão enorme falta e talvez nem tenham deixado sucessores a altura: a cantora, apresentadora e folclorista brasileira Inezita Barroso (1925-2015), o romancista, artista plástico e intelectual germânico Günter Grass (1927-2015), o escritor, jornalista e intelectual uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015) e o cantor, compositor e produtor norte americano Ben E King (1938-2015), autor do mega clássico “Stand by me,” entre outras músicas tão lindas quanto...
              Mas no mês de abril, assim como acontecerá em maio, em junho, em julho, etc e tal, milhares de pessoas desaparecerão da face da terra em acidentes de trânsito ou de avião, por culpa de doenças de todas as categorias (in) classificáveis, por suicídio, depressão, abandono, assaltos e todo tipo de violência caseira ou vítimas do meio (violência urbana) em que vivem. Terremotos, afogamentos, picadas de bicho venenoso. Ou porque sua cota de energia disponível no planetinha simplesmente chegou ao fim!
              Milhares de anônimos que não escreveram grandes livros ou magníficas canções, nem interpretaram Shakespeare magistralmente, não foram detentores de Prêmios Nobel ou medalhas Olímpicas também desaparecerão das nossas vidas, pessoas bacanas que ajudaram a construir a casa de alguém, a alegrar a vida de alguém, serviram de apoio a muitos outros seres humanos em dias de dificuldades extremas, partilharam pedaços de seu conhecimento e suas experiências. Abraços, beijos, um pedaço de pizza amanhecida ou casquinhas derretidas de sorvete. Milhares de pessoas insubstituíveis que deixarão vazios enormes (buracos negros) na vida de homens e mulheres, como eu e você, que fomos seus amigos, seus colegas, suas (seus) ex-namoradas (os), mães, pais, avós, irmãos, irmãs ou esposas e maridos e filhos (as).
              Amanhã, depois de amanhã ou nos meses vindouros, (serve de alento) milhares de crianças, italianas, africanas, japonesas, palestinas, brasileiras ou indianas estarão nascendo em lares incríveis, outros nem tantos... Desejadas com amor, outras nem tanto... Saudáveis, lindas e espertas, outras nem tanto... Um ciclo infinito de nascimento, vida, morte, renascimento... E de repente me questiono sobre tanta coisa... E sobre nós dois, eu e você, o que estamos fazendo “realmente bem” em nossas existências?
              Já se indagou se daqui 5 anos ou um pouco além disso, teremos amadurecido o suficiente? Exercitado a mente com sua máxima potência? Exaurido as possibilidades de apagar mágoas, ressentimentos? Substituídos ou mesclado momentos de solidão por reflexão? Realmente teremos feito diferença na vida de alguém? Teremos mais amor ou raiva armazenados no nosso coração ou no nosso fígado?!? Se estivermos todos vivos seremos mais felizes do que até então? Teremos sido melhores com os outros ou com nós mesmos? A quantos passos estaremos de uma vida mais digna e iluminada... enfim... me ajude a pensar... Porque somos tão imperfeitos... e erramos tanto?!?


Régis Mubarak