quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Liberdade e existência inútil

              Em 2010 escrevi um artigo cujo título “Encantos Escondidos” reverenciava o canto dos pássaros a nossos sonhos escondidos. Também escrevi em épocas distintas vários outros textos detalhando múltiplos sentimentos que fazem parte da nossa odisseia humana rumo ao desconhecido... E centenas de outros artigos sobre centenas de outros assuntos: política, literatura, esporte, ciência, esoterismo, etc, etc, etc. Entretanto a facilidade de expressão através da escrita, esse dom além do ordinário, o talento fora do comum não me torna um ser humano “um degrau” acima dos demais.

              Assim como “o escrevinhador que sou,” um engenheiro, policial, motorista de taxi, artesão, professor de geografia, cantor nativista, telefonista ou trapezista de circo, homens e mulheres que desempenham suas atividades com dedicação comparativa a beleza do canto dos pássaros a cada alvorecer, fazem de sua liberdade o desafio de evoluir um pouco a cada dia, ainda que à mediocridade sufocante os assombre.

              Um sistema ditatorial de governo, uma sociedade encarniçada e dividida, um ambiente violento ou coercitivo sucumbem o canto dos pássaros assim como roubam a grandeza dos indivíduos, reduzindo seus anseios, projetos e desejos a migalhas soltas ao vento. A falta de perspectivas, de solidariedade, de oportunidades, de possibilidades e de ampla liberdade de pensamento (e de ação), induz até o mais brilhante dos mortais, a não mais encontrar um (ou muitos) objetivo (s) para sua própria existência.

              Pergunte-se em qual sentido a filosofia ou a cosmologia subsistirá quando parte maior da população padece de carências básicas na saúde, segurança ou educação? E ainda que esplendorosas ferramentas tecnológicas favoreçam outra parte da população, que não sofre tais carências, impulsionando-a a avançar, outras forças induzem tais indivíduos a interações dentro de comunidades (?) vazias de sentimentos, recolhidas ao narcisismo individual, do ter e não do ser, do se comunicar sem se relacionar, gerando um pertencimento tão descartável quanto à velocidade do incluir e excluir.

              Eis o exemplo de a exaustão dos tais selfies impregnados de egocentrismo, na arrogância de se achar o foco das atenções, detalhando cada minuto, cada passo, cada cuspe no chão... ou o exibicionismo corporal em substituição ao enriquecimento cultural numa nítida agressão aos milhões de neurônios, axônios e dendritos, vagando soltos no cérebro, que se substituíssem essas massivas caricaturas de caras, beiços, coxas e bundas deixariam o hiper e o espaço bem menos pornográfico e muito mais atraente!

              Aquele milenar Provérbio Russo: “Ainda que chegues a viver 100 anos, nunca desista de aprender,” se encaixa perfeitamente nesse parágrafo e nessa circunstância. No contexto, no período histórico, no momento em que como nação, o Brasil precisa avançar além dos limites impostos, das suas fronteiras, daquele ridículo “complexo de vira latas,” que “se” nos rotulou em épocas passadas agora não faz mais sentido.

              Tudo o que foge ao entendimento, num primeiro instante ou numa análise superficial nos parece distante, complexo ou inatingível. É perfeitamente compreensível porque a grande maioria das pessoas foi condicionada a achar que não pode avançar além “do que os outros” o permitem fazer. Eis o grande equívoco: ficar parado tal gado no pasto ou seguir em disparada numa manada de elefantes sem questionamentos, deixando-se controlar e manipular: as escolhas... as decisões... a própria vida!

              Não desistir de suas aspirações, dos seus encantos escondidos é o passo inicial. Não espezinhar seu semelhante porque (ainda) não teve as mesmas oportunidades que você ou não compactua com suas ideais (ou posições) ou faz parte do seu nicho é o próximo passo. E dar continuidade ao aprendizado, a evolução, a expansão da sua inteligência até o último suspiro antes da próxima passagem... para que ela, a sua existência, não seja “temerosamente” uma existência fútil numa encarnação inútil! 


Régis Mubarak
Graduando em Gestão Ambiental - UNOPAR e Saúde Pública – PMI
Especialista Técnico em Gestão Contábil - CNEC e Marketing - SENAC
Pesquisador AVA SARU em Exobiologia e Tecnologia da Informação
Escreve para Jornais Impressos e Portais de Notícias do RS, SC e PR



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Confusão mental no mês de Outubro



              A literatura médica descreve “confusão mental” como uma espécie (tipo) de ataque neurológico, onde “se encaixam” alucinações e desorientações, num estado temporário de caos e desequilíbrio, quando o indivíduo não consegue agir com clareza. Caso esse período se prolongue indefinidamente surge outra situação (ainda mais negativa) denominada de “demência”, cujo prejuízo cognitivo é avalassador.
              Quanto ao estado de “insanidade,” a psicologia também atribui algo (digamos identificável) similar a “confusão mental,” que oriunda de acontecimentos traumáticos (temporária) ou advindo de transtornos psicológicos (permanente), apresentando consequências (estragos) dificilmente previstos em análises meramente superficiais.
              Devido à tamanha complexidade e abrangência, podem causar (inclusive) interpretações divergentes no discernimento de psiquiatras, psicólogos e demais profissionais da área do direito, quando relacionados a réus em processos penais, só para citar um exemplo mais visível ao nosso entendimento cotidiano.
              Todavia é imprescindível ressaltar que nenhum desses assuntos se esgota assim tão facilmente em explicações resumidas ou tímidos parágrafos de um pesquisador amador. Primeiro porque a literatura médica, assim como os demais campos da história, geografia, matemática, sociologia, etc, etc, etc estão em constante evolução. Segundo porque é preciso ir a fundo em temas tão delicados e isso exige cotas de sacrifício e obstinação. A seguir nas 3º, 4º e 5º posições (não necessariamente nessa ordem) precisa-se de tempo, investigação e interpretação minuciosas e óbvio, resultados conclusivos.
              Então sintetizando até o ponto (objetivo específico) de onde se pretendia chegar, deparamo-nos no mês de outubro com uma “responsabilidade” que nos interliga de norte a sul, leste a oeste e graças ou “des-graças” as frustrantes experiências anteriores, nos desperta sentimentos adormecidos, que pensávamos já extirpados, tipo mágoas e ressentimentos generalizados. E uma sensação de raiva do tipo canina!
              Expostos que estamos às sucessivas más gestões públicas, desapontamentos, corrupção, desvios e outros adjetivos impublicáveis, uma saída imediatista apontaria para dois caminhos viáveis e passíveis do não arrependimento: o do voto em branco ou do voto nulo. Caminhos possíveis dentro (entenda bem...) do processo democrático!
              Ambos (votos nulos e brancos) sem validade, intransferíveis para qualquer candidato, cuja serventia para fins estatísticos, (somos 144 milhões de eleitores em 5568 municípios num país de 206 milhões de habitantes), corresponderia proporcionalmente a insatisfação e revolta do eleitor frente ao quadro assombroso de conchavos e alianças espúrias, que se pactua descaradamente diante da nossa própria incredulidade.
              Entretanto incitar (ou arrebanhar neófitos) para uma pretensa campanha maciça de protesto as urnas é vendar os olhos, dar as costas, fugir da responsabilidade num momento em que nossa jovem democracia precisa se fortalecer, mostrando ao mundo que não somos “uma republiqueta de bananas!” E coragem é o antônimo de covardia!
              Impossível acreditar que num universo de meio milhão de candidatos (mais de 495.000 mil distribuídos em mais de 30 siglas partidárias), não encontraremos criaturas dignas de apenas um único e sagrado voto de confiança: o nosso voto!
              Porque para ascendermos “à nova fase,” é necessário atravessarmos esse “período de insanidade,” e fazer valer que “o brasileiro não desiste nunca,” lema tão solenemente apregoado em competições esportivas. E essa “confusão mental,” precisa ser substituída por um processo de amadurecimento, cicatrização de feridas abertas e restituição da nossa fragilizada autoestima, enfrentando as forças ocultas (além da compreensão dos nossos cinco sentidos), que insistem em esfacelar o pouco que conquistamos até aqui... e ofuscar o impossível: a magistral luz do cruzeiro do sul!

Régis Mubarak
Graduando em Gestão Ambiental - UNOPAR e Saúde Pública – PMI
Especialista Técnico em Gestão Contábil - CNEC e Marketing - SENAC
Pesquisador AVA SARU em Exobiologia e Tecnologia da Informação
Escreve para Jornais Impressos e Portais de Notícias do RS, SC e PR