quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Não leia se estiver triste hoje



              ...ou se sentindo confuso, desamparado, “meio que jogado as traças,” oprimido ou com uma dose extra de mau humor transbordante. Não leia além dessas duas linhas, porque hoje sou eu quem está se sentindo um legítimo cão sem dono! Basicamente faltando um mês para as eleições (aliás, menos de mês) a sensação de vazio não para de crescer. No emaranhado de fios e teias, eu sei que existem homens e mulheres bacanas que merecem apoio quase (eu disse quase) incondicional, aspirantes (ou nem tanto) entusiasmados em sentar nas cadeiras da assembleia legislativa, congresso nacional e senado federal. (Sim, escrevi com letras minúsculas, tamanha insatisfação que persiste em me deixar pra baixo.) Entretanto nos quesitos governo do estado (no caso aqui no RS) e palácio presidencial é um caso (ou ocaso) arrebatador de trocar seis por meia dúzia. E por mais que eu tente encontrar alternativa viável, confortadora, revigorante, um ranço constante se gruda no meu cérebro, me induzindo a possibilidade de votar em branco. A mais pura verdade: tenho sido acometida várias vezes ao dia por zumbidos possessivos ou vozes do além (?1?), (ainda não consegui identificar com exatidão...) incutindo-me desejos desenfreados de até anular de vez meu voto... Atitude que em hipótese alguma, já vou adiantando, tornar-se-á opção viável e sim de antemão, classifico-a como descartável... Então peço desculpas pela ênfase exagerada. Enfim...

              Não vou fazer preleção sobre este ou aquele sujeito deste ou daquele outro partido. Não vou citar dados estatísticos, menos ainda deixar links para que você siga e persiga, buscando clarear seus pensamentos. Não acrescentarei frases de efeito, menos ainda os defeitos deste ou daquele indivíduo. Não vou me fingir de zonza e no final do texto, elogiar “o amigo do amigo do amigo do meu melhor amigo,” que já me convidou no Facebook para curtir sua página e obviamente solicitou passar o convite pra você também e sua penca de adicionados, incluindo amigos e inimigos lá do Face!!!

              Para evitar quaisquer resquícios de contradição, avisei no primeiro parágrafo para que se no caso, seu estado de espírito estivesse em estágio crescente de colecionar mágoas e desgostos, desapontamentos de toda ordem não seguisse adiante... Amo minha cidade de origem, lá na divisa com a Argentina, amo a cidade onde resido, na região noroeste, sou completamente apaixonada pelo meu estado sulista Rio Grande do Sul e tenho orgulho de ser brasileiro (a), entretanto por mais que me esforce (fiz trabalho minucioso de análise, leituras, inclusive assistindo integralmente aos vários debates televisivos), não consegui acreditar na felicidade plena, que incluísse “milagres do tipo” controle da inflação, cadeia imediata aos corruptos de toda cepa, investimentos maciços em saúde, segurança e educação... a tão esperada reforma política... e blá... blá... blá...

              Não perdi a esperança na humanidade, no próximo e bem próximo de mim e em mim mesmo. Nem engrossarei o grupo da quebradeira. Não picharei o muro da casa do vizinho, da Agência dos Correios ou riscarei o carro do Gerente do meu Banco, que aliás é um docinho! Não incentivarei ninguém a fazer bobagem. Apenas reparto um pouco do meu coração esmigalhado (é sério), um pouco do meu desassossego, da minha angústia existencial, do desapego aos discursos com floreios, engodos e trilhões de promessas que não serão cumpridas. Não perdi a esperança na minha comunidade, na minha cidade, no meu estado e no meu país, nem no planeta inteiro! É que todos, indubitavelmente todos nós, temos certos dias cinzentos. Hoje, ontem e antes de ontem, acordei assim, coçando minhas pulgas e tentando decidir qual dessas opções (f.d.p!?!) é a menos ruim, menos nociva, menos destrutiva. Qual dessas criatura passará incólume, não aparecendo enredada em escândalos vexatórios de proporções definitivamente apocalípticas. Não sangrará os cofres públicos, nem fingirá não saber de nada o que se passa bem debaixo do seu nariz! Desculpem minha fase melancólica de cão sem dono!!!


Régis Mubarak